Entrevista sobre Arte e Fotografia


Sobre Arte e Fotografia, para a revista Eclética da PUC-Rio, em 2013

A fotógrafa mineira Lua Valentia, 23 anos, acumula três empregos diferentes. Para sobreviver ao caos da modernidade, ela se expressa através da arte literária e fotográfica. Integrante da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental, Lua acredita que a fotografia social é ligada ao meio ambiente tem a função de alertar a população quanto às questões de sustentabilidade. Com objetivo de buscar novas oportunidades para a vida profissional e inspirada pelas belas paisagens da cidade, a estudante mudou-se para o Rio de Janeiro há cinco anos. A fotógrafa acredita que a cidade maravilhosa é um dos lugares mais encantadores para exercer tal profissão. Confira abaixo tudo o que Lua pensa sobre fotografia.


Lua Valentia: A minha relação com o universo fotográfico é natural e essencial tanto quanto caminhar. Aos sete anos ganhei minha primeira máquina fotográfica. As fotos ficaram todas borradas e eu não entendia muito bem os conceitos de luz. Era uma câmera analógica amarela, bastante leve e diferenciada para a época. Apesar dos erros e fracassos, o mundo inteiro se abriu quando pude lê-lo através da fotografia. Quantos detalhes passam despercebidos, mas que são emoldurados e detalhados numa foto. Fotografar sempre foi um ato de curiosidade e ousadia, pois afinal, quem consegue parar o tempo? A fotografia tem, dentre muitas outras, tal função.


Eclética: Que tipo de foto te traz nostalgia e faz você relembrar momentos marcantes?

Lua: Para mim a máquina do tempo já foi inventada: trata-se da máquina fotográfica. Por isso, qualquer detalhe numa foto pode despertar o sentimento de nostalgia: uma peça de roupa da infância, um amigo distante, a presença de um ente querido que já se foi. Todo evento pode ser emoldurado por um clique. Às vezes me pego olhando os álbuns de infância que já vi tantas e tantas vezes... Há sempre algo novo para revisitar.


Eclética: Em sua opinião, qual é a diferença entre câmera analógica e digital? E a diferença entre foto impressa e no computador?

Lua: Acredito que as câmeras analógicas têm personalidade, desenvoltura própria. Elas carregam uma relação mágica com o fotógrafo. Há algo de artesanal e manual no processo de fotografia analógica que não encontramos no digital. A diferença começa no design particular de cada câmera e vai até a revelação dos filmes. Tudo gera expectativa, pois perder uma foto analógica é também perder tempo e dinheiro. Por isso você precisa pensar bastante antes de produzir qualquer foto. As câmeras digitais, por outro lado, oferecem estabilidade e comodidade. Você pode ver o que faz em tempo real, deletar caso não goste, recomeçar quantas vezes quiser e nem precisa pagar por isso. As cores também podem ser mais vivas e a manipulação digital é mais fácil. É importante observar que as câmeras digitais cada vez mais tentam imitar os efeitos das analógicas. Eu sempre imprimo minhas fotos e monto álbuns físicos, pois o problema em trabalhar apenas no universo virtual é a facilidade com que perdemos as fotos. Muitas vezes, problemas como vírus podem apagar as fotos sem que saibamos. Por isso, eu acho essencial imprimir as fotos, pelo menos as melhores delas, até porque a relação tátil com a fotografia aproxima o fotógrafo do momento retratado.


Eclética: Qual é o papel da fotografia na sociedade atual? Você acredita que houve uma banalização da imagem devido ao grande volume de fotos e a sua utilização nas redes sociais?

Lua: A vida é movimento, transformação, mudança. A fotografia tem o poder de parar o tempo, imortalizar uma cena. Ela valida a memória, funciona como um gatilho para o passado. Hoje nós marcamos nossa existência através da fotografia: se o evento não for fotografado gera até dúvidas de sua existência. Precisamos comprovar que nos encontramos com tal pessoa, que estivemos em tal show, que visitamos tal lugar. E fazemos isso compartilhando fotos nas redes sociais e marcando nossos amigos. Mas isso acontece devido à nossa frágil memória e à necessidade em nos demarcarmos no tempo-e-espaço. A fotografia auxilia o processo da construção da memória, da identificação da essência do outro e da proximidade com o passado, afinal é o espelho para nossa história.

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© 2020 por Lua Valentia

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